quarta-feira, 13 de junho de 2012

Pensei...

Pensei que eu não quisesse
pensei que você soubesse
pensei que você pudesse

Pensei que eu pudesse
pensei que eu soubesse
pensei que você quisesse.

É, pensei...
....................................................


( Cristina Van Opstal, junho de 2012 )




terça-feira, 5 de junho de 2012

Apaixonar-se...

Me perguntaram se eu estava apaixonada...
e eu respondi "Sempre!".
Na verdade, eu SOU apaixonada...
Sou apaixonada pela vida,
pela alegria dos meus amigos,
pelo mar num dia de sol,
pelo cheiro da chuva,
pela capacidade de sorrir,
pelo alívio de chorar,
por gente de coração aberto,
por borboleta passando perto,
por flor colhida do chão,
por flor recebida na mão,
pela saudade do bem que passou,
pela esperança do bem que virá,
pela chance de lembrar,
pela libertação de esquecer.

Sou apaixonada pela possibilidade de me apaixonar...
e de repente, "não mais que de repente", tornar-se amor !

( Cristina Van Opstal, junho de 2012 )


domingo, 8 de abril de 2012

Infinitivo

Meu conselho pr’os amigos:
Fuja dos amantes do gerúndio
Tô me separando...
Tô ficando...
Tô procurando...
Joga o passado no precipício
Acabado, particípio!

Queira gente de presente
Queira gente de futuro
Andou no escuro, não importa
A verdade é essa.
É imperativo nova porta
Abre pr’o infinito, recomeça
conjugue a vida; a voz, ative-a,
com coragem, depressa.

( Cris Van Opstal, abril, 2012 )

Puro


Alimenta minh’alma
de leite
Deleite-se...

( Cris Van Opstal, abril de 2012 )

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Inverno

Fechei!
Fez-se inverno
Hiberno.
Olho pra mim
Vasculho por dentro
denso, tenso
viro do avesso
junto os pedaços
a verdade escancaro
Procuro no escuro
a cura...
a jura...
minh’alma pura

Fechei...
Mas, um dia, eu volto,
Solta
Suave
Inteira.

( Cristina Van Opstal )

domingo, 1 de abril de 2012

Licença-poética

Eu-lírico
Você, cínico
Verso livre
sem eira, nem rima
seu desejo,
matéria-prima!
meu decassílabo
tão imperfeito
pega teu sorriso e vai,
devolve a paz do meu peito.
Você, um haicai
Eu, um soneto.
..................................
Errei na métrica?
Ah... o amor e sua licença-poética...

( Cris Van Opstal, abril, 2012 )

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ênclise

Tuas palavras:
carícia
mundana,
insana-me

Teu cheiro:
babel
de sentidos,
envenena-me

Teus olhos:
insolente
mar,
deriva-me

Tua vontade:
silente
impulso,
pulsa-me

Tuas palavras:
babel
mundana,
decifra-me

Teu cheiro:
impulso
sem freio,
liberta-me

Teus olhos:
silente
carícia,
navega-me

Tua vontade:
insolente
amar,
devora-me

Descaminhos

E então eu era uma menina, ainda plena de sonhos e escolhas... meus caminhos estavam apenas  começando...
E então havia você... tão pleno de histórias e equívocos, iludido entre tantos caminhos já percorridos...  
E então aconteceu nós dois... ainda que improvável, ainda que difícil... Nunca duvidei do seu amor: sempre me vi em teus olhos... a “menina dos teus olhos”... 
Por isso, permaneci muito tempo escolhendo crer em nós dois... escolhendo crer que você ainda saberia amar, a despeito de todas as suas histórias e equívocos... ou justamente por conta delas... 
No entanto, isso não aconteceu... e minha escolha tornou-se outra e única; e meus olhos lhe disseram Adeus... 

domingo, 9 de maio de 2010

Denúncia


crianças dormindo na rua
longe da escola
perto da esmola

plásticos sufocando o mar

morros a despencar
e ninguém prá dizer: “Alto lá!”


gente que não sabe ler

gente que não pode crer
gente que só quer ter


celular roubado na esquina

cueca escondendo propina
e a mesma sina
severina

infância violada

pela confiança destruída
pela hipocrisia sagrada


juventude entorpecida

flertando com a sorte
indo encontrar a morte


na faixa de Gaza

anjos caindo do céu
gente voando sem asa

( Cristina Van Opstal )













        Guernica
. Pablo Picasso ( 1937 )

sábado, 8 de maio de 2010

Vão

Por que razão esta
saudade me inquieta ?
Não deixei a porta aberta!
Sei que acabou
Sei que não há outro jeito
Sei que não é mais tempo...

Todavia esta saudade triste
invade, amiúde,
meio rude
acusando-me:
"Como pude?"

( Cristina Van Opstal )