segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Por uma semiótica do saber


Uma saudosa homenagem ao meu querido professor Cidmar
Tive a honra de conhecer um verdadeiro professor !
Não digo que tive o privilégio, pois duas de suas principais características sempre foram a humildade e a convicção de que seu propósito – como pesquisador e professor – era o de compartilhar seus saberes com todos os que se dispusessem a aprender com ele. Portanto, seus ensinamentos nunca foram um privilégio de poucos...
Cidmar foi um verdadeiro professor,
pois derrubou muros enquanto construía pontes,
reconheceu os caminhos percorridos, estendeu a mão nas subidas íngremes e ampliou horizontes,
confortou, aqueceu, acolheu...
Cidmar foi um professor de professores...
Quando validava o saber do outro, descortinava o acesso aos saberes de tantos outros.
Desembaçou olhares, destruiu estereótipos, iluminou os caminhos a percorrer
Inquietou, despertou, inflamou...
Cidmar trouxe mais luz à ciência
e iluminou tantas platônicas cavernas
Com seus orientandos ( por vezes, tão desorientados...)
refletiu junto, discutiu, estabeleceu planos
Suas teorias não eram frias
nem pura demagogia
Fez de sua conduta o exemplo
Num caminho de mão dupla
Cidmar foi um sonhador de sonhadores
alçou voo pelas nuvens

mas sempre soube muito bem onde pousar
viveu difíceis embates
por suas ideias e sua ética
e sempre encontrou o equilíbrio:
isso foi o seu calor,
o seu parâmetro,
o seu quilate !
Cidmar é ainda um verdadeiro professor,
pois segue brilhando e iluminando
nas palavras e nos olhos daqueles que com ele conviveram
e com ele aprenderam a ser
mais competentes
mais humanos
mais éticos
mais felizes !
Obrigada, prof. Cidmar.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

In dubio


Antes de partir
é preciso dizer...
Não posso crer que só eu sinta
que a gente se faz tão bem...
Sinto isso quando a gente conversa horas ao telefone ou no sofá de sua casa...
Sinto isso quando você me conta seu dia e fica à vontade
prá falar de suas alegrias e seus receios...
Sinto isso quando a gente se abraça demoradamente...
Sinto isso quando vejo que te “beijo a boca de um jeito que te faça rir”...
Sinto isso quando sinto seu corpo me querendo...
Sinto isso quando sinto meu corpo se rendendo...
Sinto isso quando sinto que só melhora cada vez que estamos juntos...
Não posso crer que só eu sinta
que a gente se amar seria inevitável...
( Cristina Van Opstal )

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Aprendendo a jogar ?



O problema do jogo no amor
é pôr o amor em jogo...

arriscar o amor
blefar com o amor
mascarar o amor
dificultar o amor
descartar o amor...

o amor – pra valer – pede a cara limpa
a alma aberta, o coração desperto

truques são para os mágicos, os fracos, os desiludidos...

( Cristina Van Opstal, agosto 2009 )

domingo, 9 de agosto de 2009

Definitivamente

Se a verdade se cala
Se o silêncio conversa com o vazio
Se a lucidez é uma intrusa na sala
Se à carícia impõe-se um dever
Se a dor invade o prazer
Se o corpo não mais queima
Se o corpo queima, mas não aquece
Se o colo não se faz recanto
Se ficar sozinho não é mais uma escolha
prá “de vez em quando”
Se a crise não é uma efêmera chance
de reinventar o amor
Se não se consegue mais rir dos enganos
Se há mais lembranças do que planos
Se promessas se acumulam
e a primavera não se anuncia
Se não há mais no que acreditar
Se não há mais o que esperar

É hora de dizer adeus...

( Cristina Van Opstal, agosto de 2009 )

Ainda...

Sei que vai passar...
Em mim, a tristeza não demora!
Todavia, por ora,
lembro-te,
falta-me,
sinto-te,
lamento-nos...
( Cristina Van Opstal, agosto 2009 )

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ah! mar...



No mar do teu corpo
Sou náufraga
Sou bússola
Sou lúcida

Invoco tempestades
provoco vontades
no mar do teu corpo

No mar do teu corpo
afundo... profunda...
ancoro saudades

Sedenta, mergulho
verdes águas descubro
no mar do teu corpo

No mar do teu corpo
sou vento: sem juízo...
Navegar é preciso;
Amar-te não.


( Cristina Van Opstal, julho de 2009 )

domingo, 19 de julho de 2009

Desilusão

Amor basta ?
Amor resta?
Amor presta ?


( Cristina Van Opstal, 2008 )

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Vieste com o mar...
tuas ondas naufragaram meus receios
inundaram-me de anseios...

quando vi, já era tua
sob a lasciva luz da lua...

( Cristina Van Opstal, julho de 2009 )

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Era uma vez...

Nunca fiz o tipo “princesinha-adormecida-aguarda-salvador-que-a-resgatará-da-terrível-bruxa-má”...
Nunca fui tão Branca que arrumasse a casa de alguém apenas em interesse próprio...
Nunca fiei, teci, bordei, mas cheguei aos quinze anos com muitos livros de cabeceira...
Nunca soube fazer trança ( nem prancha! )
e nunca precisei de uma abóbora mágica para poder dançar...

Sou uma princesa de vanguarda,
que adora maçãs e acorda despenteada,
Não quero o maior castelo do mundo
Quero meu mundo maior que um castelo
Sei alguns feitiços, tenho meus caprichos,
bailo valsa, mas prefiro samba

Sou uma princesa original,
estou longe de ser de cristal...
Já pulei em pontes, dei com a cara no muro
procuro aprender mais, não finjo saber menos
Encaro um espelho, enfrento meu lado escuro
a dor não me satisfaz, passo longe dos venenos

Mas sou uma princesa !...
Os sonhos de “era uma vez” também me habitam...
Acredito em finais felizes
( embora saiba que eles resultem de muito esforço e vontade )
Ah, e eu mereço um príncipe de verdade !

Mas...
quero meu príncipe diferente,
menos encantado,
mais gente
menos perfeito,
mais empenhado,
perfumado sempre:
aroma de banho tomado...

Quero colo, quero beijo,
quero arrepio, quero amasso,
quero afago, quero sossego,
quero ternura e aconchego

...........................


Talvez, por isso, meu príncipe ainda não tenha chegado
Ou, quem sabe, deve estar com o endereço errado


...........................

Enquanto isso ?
Não fico esperando sentada
aguardando meu destino
Ponho o pé na estrada
espalho flores pelo caminho
guardo alguns poemas
prá quando meu coração se sentir sozinho...
E que Bela Adormecida que nada !
Quando eu o encontrar
quero estar bem acordada !

( Cristina Van Opstal – julho de 2009 )

terça-feira, 14 de julho de 2009

Tua...



Tua noite
Tua casa
Tua porta
Nada importa...

Minha boca
Tua boca
Me atordoa
Sob a roupa

Teus olhos
Teus braços
Teu colo
Meu corpo

Tua cama
Tuas mãos
Minha pele
Tudo chama

Tua voz
Teu sorriso
Teu sabor
Nenhum juízo

Teus dedos
meus segredos
meu sussurro
teu norte

Meu colo
Teu corpo
Tudo arde
Já é tarde
.................................

Teus ombros
Meu recanto...
Abandono de amor
por todo o canto.
( Cristina Van Opstal, julho de 2009; Water serpents II - Klimt, detalhe, 1904-07 )